Fulga do Paraiso

Fulga do paraiso foi meu primeiro trabalho em colagem. Depois de uma longa tarde em uma cachoeira na região de Socorro próximo a cidade de Campinas experimentei fazer algumas duplas exposições com a Fuji instax. As fotos tentam trabalhar com as curvas dos corpos buscando a androgenia. Proponho uma confusão uma fusão entre as energias femininas e masculinas, voltando a unidade. Fulga do paraíso é uma colagem crítica que procura colocar sob tensão as hierarquização do gênero e o fetiche do corpo. 

A colagem surgiu na semana seguinte as fotos, quando em uma tarde de outono me enfiei na sala de digitalização da biblioteca da faculdade de estudos de linguagem da UNICAMP. Uma amiga havia ganhando umas revistas da National Geography, e enquanto aguardávamos nossa vez para usar o scaner começamos a brincar com alguns recortes. Fui até a estante que havia em nossa frente e encontrei um livro com uma capa dura e muito velha com um tom vermelho desbotado. Com um durex colei muito superficialmente alguns recortes e palavras misturando suas texturas e cores com as das fotos. 

O nome surgiu inspirado na imagem central que retirei das revistas, uma ilustração onde dois personagens semi-nus olham-se nos olhos e que tem seus órgãos íntimos tapados por trevos. Aqueles personagens deveriam ser Adão e Eva, e assim os retirei do paraíso e os tornei seres sem sexo. Fulga do paraíso é uma colagem politica que coloca em questão a fragilidade do binarismo de gênero e a volta dos corpos ao seu estado pré-moderno. 

© 2019 by Juliana Lira Photography . 

Juliana Lira

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Vila Malena - SP, Brasil. 

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